A saúde pública no Brasil está uma calamidade. Médicos não estão dando conta de tantos pacientes e os hospitais não oferecem estrutura de trabalho. A vinda dosestrangeiros será uma solução ou vai apenas amenizar a falta do serviço de saúde nacional?
Era na manhã de sábado, 24 de agosto quando os médicos chegaram. Com suas bandeiras, jalecos, felizes pela nova oportunidade e chance de viver em um país com um pouco mais de liberdade. As sonoras vaias foram o que perduraram.
Os médicos do Brasil não concordam com a falta de médicos, mas sim de estrutura para atender com qualidade a todos. E não supriram a demanda do programa Mais Médicos, que veio oferecendo uma grande quantidade de vagas para quem tem boa vontade de trabalhar na miséria. Agora, o Ministério Público do Trabalho começou a investigar o contrato entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a pedido do Conselho Regional de Medicina que pela petição só se importa com um novo ar condicionado na clínica particular do seu médico, não com os pacientes que morrem por falta de atendimento. E vem a tona a indisponibilidade dos médicos brasileiros para trabalhar em regiões prioritárias, ou seja, que tenha necessidade de profissionais.
Doutores brasileiros pedem o Revalida para os estrangeiros. Justo, já que a prova do Revalida tem duas fases e é estruturada pelo MEC, servindo para transformar o diploma estrangeiro em brasileiro. Eles vieram especificamente para lidar com as áreas que o brasileiro não quer lidar. Os estrangeiros tiveram que vir conviver com nossa gente porque nós próprios não queremos cuida-los, apontando a injustiça pela duvida da capacidade destes para tal função mais uma vez. Os brasileiros estudaram muito, se dedicaram em plantões, não dormiram direito e na hora de exercer a profissão não querem sair do seu ar-condicionado? Sem generalizar, é isso que esses médicos manifestantes são, porque quem está manifestando não está tendo que trabalhar. Quem vê a realidade sabe da necessidade.
A constante insatisfação do médico brasileiro me permite comparar com uma situação cotidiana: a esposa foi traída pelo marido, se separou mas não quer que ele comece um relacionamento com outra mulher. É isso que vive o médico brasileiro.
