segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Contrabando de agrotóxicos: Problema para o produtor rural

           Os agrotóxicos ilegais geralmente são transportados e encontrados nas regiões agrícolas dos principais estados produtores, como Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. A principal porta de entrada é a região da tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai). As embalagens são do tipo sacos plásticos, metalizados ou caixas de papel cartão, com peso líquido de 10 a 200 gramas, para facilitar o transporte. Normalmente, os agrotóxicos ilegais são provenientes do Paraguai, China, Chile e Uruguai e são utilizados nas lavouras de soja, trigo e arroz.

Lavouras de milho são uma das mais prejudicadas
            Segundo o Sindag (Sindicato Nacional da Indústria de produtos para a Defesa Agrícola) a apreensão de defensivos ilegais cresce no país. Desde 2001, quando teve início a campanha nacional de combate aos defensivos ilegais, mais de 400 toneladas foram apreendidas pelas autoridades e quase mil pessoas detidas em todo o país. O disque-denúncia já recebeu cerca de 18 mil chamadas desse tipo de crime e no total foram 14 toneladas entre janeiro e junho, mostrando um aumento de 50% em relação ao mesmo período do ano passado.
            No mato grosso do sul foram 430 kg até junho deste ano. Em Dourados, o contrabando está controlado e os empresários que vendem esses produtos estão tranquilos. Segundo Sérgio Miranda, proprietário de uma empresa de agrotóxicos, ele não tem mais prejuízos por conta dos países vizinhos. “Na empresa não influi mais tanto porque os agricultores começaram a sentir os problemas de comprar em outros países, como Paraguai, Bolívia ou Argentina. Eles estão procurando o mais caro, mas que pelo menos tem alvará e é bem melhor em qualidade do que o adulterado.”, enfatiza.
            Os produtores também destacam a falta de qualidade do produto ilegal para a lavoura. Gilberto Bernardi, produtor rural e engenheiro agrônomo disse que não vale a pena adquirir o produto, por mais que seja bom para o bolso é extremamente degradável para a plantação. “O defensivo ilegal é 10 vezes mais barato do que o original, mas poluem o meio ambiente, já que os químicos da composição são adulterados e de baixa qualidade. Além disso, os produtos são falsificações de ingredientes ativos e embalagens de marcas conhecidas, o que engana o produtor. Ele compra buscando agrotóxicos para matar pragas e este sendo adulterado acaba trazendo prejuízos, já que não é eficaz como os outros. “ Gilberto também ressalta o valor do produto, que chega a ser dez vezes mais barato que o original, trazendo a ilusão do “bom e barato” para o agricultor.
            Para identificar quando há ilegalidade o agricultor deve estar atento e desconfiar se o produto não vir com nota fiscal e receita agronômica, por exemplo. A embalagem dos ilegais vem escrita em espanhol e para  vender o produto no Brasil essas embalagens devem estar obrigatoriamente em português.

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